Uma corretora fascinada por moda, design e artesanato ou simplesmente uma ariana ...
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Há pessoas que passam pela nossa vida. E há aquelas que, mesmo depois de partirem, continuam passando por ela todos os dias.
Nossos pais pertencem a essa segunda categoria.
No começo, acreditamos que eles estarão sempre ali. Nas manhãs apressadas, nas conversas sem importância, nos conselhos que nem sempre queremos ouvir, nas perguntas repetidas e até naquelas pequenas preocupações que, quando somos jovens, parecem exageradas.
Não percebemos que, enquanto vivemos tudo isso, estamos construindo as lembranças que um dia serão abrigo para a nossa saudade.
Então, chega um momento em que a vida muda de endereço. A voz já não responde ao telefone, o abraço já não espera na porta e certas perguntas ficam sem resposta. A ausência ocupa espaços que antes pareciam tão comuns.
É estranho como a saudade aprende a morar nas coisas pequenas. Num cheiro que atravessa o tempo, numa receita, numa fotografia amarelada, numa expressão que repetimos sem perceber. Às vezes, basta ouvir uma frase parecida com a que eles diziam para sentir, por alguns segundos, que o tempo voltou ao lugar.
E então descobrimos algo que talvez só a perda consiga nos ensinar: nossos pais nunca foram feitos apenas de presença física.
Eles estão nas nossas mãos, nos gestos que herdamos, nos valores que defendemos, nas escolhas que fazemos quando ninguém está olhando. Estão na maneira como cuidamos de quem amamos, na força que encontramos diante das dificuldades e até naquilo que prometemos a nós mesmos nunca esquecer.
Um dia, percebemos que estamos contando aos outros histórias que ouvimos deles. Repetindo seus ensinamentos. Protegendo pessoas com o mesmo cuidado com que fomos protegidos.
E, sem perceber, nos tornamos um pouco daquilo que recebemos.
Talvez seja essa a herança mais preciosa que alguém possa deixar. Não aquilo que cabe em documentos, fotografias ou objetos guardados, mas tudo aquilo que o amor foi capaz de transformar dentro de nós.
Porque a morte pode interromper uma convivência, silenciar uma voz e encerrar uma história compartilhada. Mas não tem o poder de apagar o que o amor escreveu na alma.
Nossos pais partem da vida, mas não partem de nós.
E quando a saudade apertar, que a gente se lembre: tivemos a sorte de ser amados por pessoas que, mesmo depois da despedida, continuam nos ensinando a viver.
Há amores que não terminam. Apenas encontram outras maneiras de permanecer.
E o amor de pai e mãe talvez seja a mais bonita delas. Obrigada pai, mãe por ter me permitido conhecer esse amor.
Saudade Eterna,
Cindy Ferreira de Vasconcelos
@cindyferreira_oficial